quarta-feira, 9 de maio de 2012

angtropofágica

o delírio é a lira do poeta
se o poeta não delira sua lira não profeta

as carambolas do meu quintal
estão maduras
mastigo a carne da fruta
como se outra carne eu comece
na farta festa do cio
dois Rios no mesmo mar
barcos na mesma fome
paixão voraz não tem nome
pintura de Frida Callas
penso teu sobrenome
e a língua explode na fala

na coluna vertebral dos teus martírios
meus poemas instalam seus mistérios
tudo silêncio
tudo farra
tudo festa
ela tem no umbigo um formigueiro
leoa presa na jaula
seu tempo é todo de aulas
young, freud, deleuze
análise quântica dos nervos
semântica física dos ossos
sob o vestido brando de rendas
penso teus dedos nos seios
quando tens a carne exposta
e as frutas da santa ceia
coloco na mesa posta

arturgomes

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