segunda-feira, 28 de maio de 2012

Rio + 20



vejo o Rio aqui de cima
copacabana ali em frente
botafogo lá em baixo
pão de açúcar do lado
os carros na avenida
andam quase parados
barquinhos na enseada
peixes morrendo afogados

arturgomes

quarta-feira, 23 de maio de 2012

barra da poesia



 em 1972 a barra
não era assim barra bonita
muito menos de barro
a barra era de chumbo
a barra era de ferro
tudo estranho falso escuro
de concreto apenas o muro
à nossa frente
e rente outro que invisível
se erguia às nossas costas
ao lado um cão de guarda
pronto para matar
qualquer palavra ainda vida
em nossos dentes
e a língua amordaçada
podia apenas soletrar
a palavra: M O R T E

artur gomes
no link abaixo matéria sobre a Barra da Poesia

terça-feira, 22 de maio de 2012

20 de fevereiro



O genial Itamar Assumpção e Isca de Polícia ao vivo em 1983. Parte 1
O show tem por base os dois primeiros discos de Itamar: "Beleléu, Leléu, Eu" e "Às Próprias Custas". E viva a Vanguarda Paulistana. Fantástico!

fosse quântico esse dia
calmo claro intenso inteiro
20 de fevereiro
sendo assim esperaria

mesmo que em meio a tarde
TROVOADAS tempestades
insanidades guerras frias
iniqüidade
angústia
agonia
mesmo assim esperaria

20 horas
20 noites
20 anos
20 dias

até quando esperaria?
até que alguém percebesse
que mesmo matando o amor
o amor não morreria 

arturgomes

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Festival Curta Santos abre inscrições para Mostras Competitivas

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Ao completar 10 anos de existência, o Festival homenageia o Futebol Arte

Curta Santos – Festival de Cinema de Santos completa uma década de existência dedicada às produções audiovisuais brasileiras, em especial àquelas produzidas no litoral de São Paulo. Este ano o tema que norteia as homenagens realizadas durante o evento é o Futebol Arte: Centenário do Santos Futebol Clube. 

As inscrições para as oito mostras competitivas já estão abertas somente pela internet, no site www.curtasantos.com.br.

Sempre alinhado ao contexto caiçara, típico do litoral, este ano o Festival presta homenagem aos 100 anos do Santos Futebol Clube, peça mais do que importante na divulgação da escola do futebol brasileiro pelo mundo. O tema da nossa 10ª edição já estava definido há dois anos. 

Mostras competitivas

As mostras de filmes voltadas à competição dobraram este ano, quando o Curta Santos – Festival de Cinema de Santos, completa 10 edições. De quatro, agora são, ao todo, oito. Olhar Caiçara, Videoclipe Caiçara, Novos Olhares, Mostra Curta Santos F.C. e Mostra Minuto são as nacionais

As mostras direcionadas aos realizadores do Litoral de São Paulo são a Olhar Caiçara, Videoclipe Caiçara Curta Escola.

Mostra Olhar Brasilis e Mostra Videoclipe Brasilis, são nacionais e de livre temática

A Mostra Curta Santos F.C. e Mostra Minuto, são, por sua vez, comemorativas e voltadas ao Santos Futebol Clube: a primeira para produções com duração de até 10 minutos e a segunda é para o torcedor fanático que quer expressar a paixão pelo time em até 60 segundos (um minuto).

Já a Mostra Novos Olhares, ainda nacional, aceita somente produções realizadas por meio de captação digital (câmeras, celulares, tablets e semelhantes - em alta ou baixa resolução), com duração máxima de 5 minutos.

As regionais são a Mostra Olhar Caiçara e Mostra Videoclipe Caiçara. Elas são voltadas a realizadores de todo o litoral de São Paulo. E com o intuito de encontrar novos e promissores talentos no audiovisual, chega a nova Mostra Curta Escola, destinada a produções de até 10 minutos (sem tempo limite) realizadas por alunos doEnsino Fundamental de Escolas da região. Para todos, nesta categoria, a temática é livre.

Sobre o tema

Dos gramados para as telas dos cinemas. A história do Santos F.C. se mistura com a sétima arte desde a fundação  do clube, ocorrida em 14 de abril de 1912. Desde que Pelé chegou à Vila Belmiro, na década de 60, o Santos F.C. pintou sua marca de ‘time de ouro’ na história do futebol brasileiro e mundial. Com o Rei e Coutinho na linha de frente, o Santos apresentava seus gols e jogadas, como se estivesse obedecendo a roteiros cinematográficos.

Como o próprio Rei do Futebol gosta de dizer, o Santos parou uma Guerra. Em 1967, a equipe comandada pelo técnico Lula fez uma excursão para África: foi em Lagos (Nigéria), que o time de Pelé jogou e causou um cessar fogo de 48 horas na Guerra Civil daquele País. Enredo para diretor nenhum botar defeito.

O reconhecimento do Santos time e do Santos Cidade se consolidaram ao longo dos anos, cada qual pela sua história. Mais jovem, porém não menos importante, é o Festival Curta Santos, que decidiu reunir em sua 10ª edição, produções audiovisuais sobre o Clube que tantas alegrias deu à sua terra Natal e aos brasileiros. Antes com os gols de Pelé, hoje com os dribles do jovem Neymar.

O Festival

O 10º Curta Santos – Festival de Cinema de Santos será realizado no mês de setembro e contará com cinco dias de programação totalmente gratuita. Além de romper paradigmas, rever conceitos e estimular novos caminhos para o audiovisual – premissas adotadas desde a primeira edição –, o Festival tem como objetivo fundamental oferecer ao público sessões gratuitas  de curtas, médias e longas-metragens mais mesas redondas, oficinas e debates com profissionais da área.

Em nove anos de trajetória, o Festival já contou com a participação de grandes nomes do cinema nacional, como José Wilker, Matheus Nachtergaele, Paulo César Pereio, Paulo José, Ney Latorraca, Ana Lucia Torre, Dira Paes, Christiane Torloni, Nuno Leal Maia, Betty Faria, Leona Cavali, Sergio Mamberti, Bete Mendes e Eva Wilma, além de cineastas como Carlos Manga, Carla Camurati, Zita Carvalhosa, Eliane Caffé, Ewaldo Mocarzel, Jose Mojica Marins, Beto Brant, Lírio Ferreira, Carlos Reichenbach, Allan Fresnot, Tata Amaral, Allan Sieber e Toni Venturi, dentre outros.

Realização

A direção geral do 10º Curta Santos é de Ricardo Vasconcellos, com direção de produção de Junior Brassallotti. 

 O 10º Curta Santos - Festival Santista de Curtas Metragens é realizado por Olhar Caiçara e Associação dos Artistas do Litoral Paulista; conta com a parceria da Prefeitura Municipal de Santos, Sistema A Tribuna de Comunicação, TV Tribuna, Rádio Jovem Pan Santos, Cine Roxy e Sesc Santos; e apoio das Oficinas Culturais Pagu e Governo do Estado de São Paulo.

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Junior Brassalotti

Diretor de Produção - X Curta  Santos
Festival Santista de Cinema
@curtasantos

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Barra da Poesia


Barra da Poesia IIIº
Dia 26 de maio – das 20h às 23h
Creperia e Drinkeria ZOOOM IN
Av. Sernambetiba, 5200 – Orla
Barra da Tijuca - Rio de Janeiro
Com Marisa Vieira +Artur Gomes + Rejane Luna
e participação especial de Eurídice Espanhol

terça-feira, 15 de maio de 2012

O que é e para que serve a Arte


Vênus de Milo


Programação:

08 a 21/05/2012
Exposição: Linha do Tempo
apresentação: Hip Hop – 10/05 – 18:30h
Documentários: Reflexões sobre a Arte

22/05 a 01/06/2012
Exposição: Papel Maché/Projeto Espiral
Apresentação: Grupo de Dança do Campus Bom Jesus
22/05 – 18:30h
Teatro de Bonecos – Prof. Bricio Silva
23/05 – 16h
Oficina: Papel Maché
24/05 – Das 14h às 18h
Documentários: Dança e Teatro

04/06 a 20/06/2012
Exposição: Esculturas em Cerâmica – Mario Evangelista
Apresentação: Projeto Sidharta (música eletrônica) com Álvaro Manhães e Harlen Pinheiro e poesia com Artur Gomes
05/06 – 18:30h
Oficina: Stop Motion
14/06 – 14h às 18h
Documentários: Musicais

21/06 a 09/07/2012
Exposição de Fotografia: Um olhar sobre o espaço urbano – Alunos do curso de Geografia do Campus Campos Centro e Minha cidade escreve assim – Alunos do ensino médio do Campus Campos Centro
Apresentação: Sarau (Semana de Arte Moderna de 22)
26/06/18:30h
Oficina: Fotografia – Prof. Diomarcelo Pessanha
28/06 – 14h às 18h
Documentários: Semana de Arte Moderna de 22

10/07/ a 31/07/2012
Exposição: Francisco Rivero (Artista Plástico Cubano)
Apresentação: Grupo de Poesia do Campus Bom Jesus
17/07 – 18:30h
Documentário: Sobre o Artista Francisco Rivero

01/08 a 15/08/2012
Exposição: Pauline Pessanha (Artista Plástica)
Apresentação: Nós do Teatro – 07/08 – 18:30h
Documentários: Sobre a Artista Pauline Pessanha

MINICURSOS

07 de junho de 2012 – das 14h às 18h
Estética
Prof. Márcio Vianna Lima – Pró-Reitor de Ensino do IFF

14 de junho de 2012 – Das 14h às 18h
A arte das palav ras
Profª Vania Cristina Alexandrino Bernardo – Diretora do Ensino Médio do Campus Campos Centro

21 de junho 2012 – das 14h às 18h
O que é e para que serve a arte na educação
Profª Danuza Rangel – Coordenadora pedagógica do Pólo Regional Arte na Escola da UENF

05 de julho de 2012 – das 114h às 18h
Música na Escola
Profª Beth Rocha – Professora da Oficina de Música do Campus Campos Centro

09 de agosto de 2012 – das 14h às 18h
Teatro na Escola
Profª Kátia Macabú – Coordenadora de Arte e Cultura do Campos Campos Centro


Local: Espaço Raul Linhares
Curadoria Educativa – Márcia Rangel

Instituto Federal Fluminense – Campus Campos Centro
Rua Dr. Siqueira, 273 – Parque Dom Bosco - Campos dos Goytacazes – RJ –www.iff.edu.br/campus/campos/centro

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Curta Santos - inscrições até 17 de junho


Consolidado como um dos mais importantes eventos dedicados ao audiovisual do país, tendo inclusive superado a marca de 1 milhão de espectadores em suas duas últimas edições, o Curta Santos – Festival Santista de Curtas Metragens recebe inscrições para a sua 9ª edição, até 17 de junho, por meio do site www.curtasantos.com.br.

O tema deste ano é “Para Todas as Mulheres do Mundo” e os realizadores podem inscrever seus filmes – com até 20 minutos de duração - em quatro mostras competitivas: Olhar Brasilis, Videoclipe Brasilis, Olhar Caiçara e Videoclipe Caiçara

As duas primeiras tem abrangência nacional e reunirão, respectivamente, os melhores curtas produzidos recentemente e os melhores videoclipes, independente da data de realização. Já as duas últimas seguem o mesmo formato, mas são restritas à produção regional, do litoral de São Paulo.

Mais sobre o tema
Desde seu surgimento, o cinema retratou a mulher de forma especial. No início, como fetiche do mundo masculino: fatal, heroína, devoradora de homens. Depois, a figura feminina emancipou-se e passou a buscar seu espaço próprio. Assim, o Festival pretende homenagear “todas as mulheres do mundo”: das atrizes às filósofas, das pensadoras às operárias, do planeta Terra à Mãe Natureza. 

O verde é a cor da nona edição e, por meio dele, o Festival abre mais um assunto para reflexão: a sustentabilidade. Desta vez, partindo do princípio do “olhar feminino”, pretende trabalhar a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável por intermédio do audiovisual. O subtema visa aguçar a discussão sobre o crescimento econômico prejudicial ao meio ambiente - e incentivar a participação ativa do público em ações que zelam pelo futuro da região e do planeta. 

O festival
O 9º Curta Santos será realizado no mês de setembro e contará com cinco dias de programação totalmente gratuita. Além de romper paradigmas, rever conceitos e estimular novos caminhos para o audiovisual – premissas adotadas desde a primeira edição –, o Festival tem como objetivo fundamental oferecer ao público sessões de curtas, médias e longas-metragens (os dois últimos, em mostras não-competitivas) com produções de qualidade, que estão fora do circuito comercial. Mesas redondas, oficinas e debates com profissionais da área sustentam a proposta. 

Em oito anos de trajetória, o Festival já contou com a participação de grandes nomes do cinema nacional, como José Wilker, Matheus Nachtergaele, Paulo César Pereio, Paulo José, Ney Latorraca, Ana Lucia Torre, Dira Paes, Betty Faria, Leona Cavali, Sergio Mamberti, Bete Mendes e Eva Wilma, além de cineastas como Carlos Manga, Carla Camurati, Zita Carvalhosa, Eliane Caffé, Ewaldo Mocarzel, Jose Mojica Marins, Beto Brant, Lírio Ferreira, Carlos Reichenbach, Allan Fresnot, Tata Amaral, Allan Sieber e Toni Venturi, dentre outros.

Realização

A direção geral do 9º Curta Santos é de Ricardo Vasconcellos, com direção de produção de Junior Brassallotti. Os dois estiveram ao lado do diretor Toninho Dantas (1948-2010) desde as primeiras edições do evento, contribuindo decisivamente para seu reconhecimento em âmbito regional e nacional. A direção de mostras é assinada por Tássia Albino e Rodrigo Zerbetto Chehda, a coordenação de produção. 

O 9º Curta Santos - Festival Santista de Curtas Metragens é apresentado por Petrobras; com realização da Olhar Caiçara e Associação dos Artistas do Litoral Paulista; conta com a parceria da Prefeitura Municipal de Santos, Sistema A Tribuna de Comunicação, TV Tribuna, Rádio Jovem Pan Santos, Cine Roxy e Sesc Santos; e apoio da Impacto, Poiesis e Oficinas Culturais Pagu e Governo do Estado de São Paulo. 

quarta-feira, 9 de maio de 2012

angtropofágica

o delírio é a lira do poeta
se o poeta não delira sua lira não profeta

as carambolas do meu quintal
estão maduras
mastigo a carne da fruta
como se outra carne eu comece
na farta festa do cio
dois Rios no mesmo mar
barcos na mesma fome
paixão voraz não tem nome
pintura de Frida Callas
penso teu sobrenome
e a língua explode na fala

na coluna vertebral dos teus martírios
meus poemas instalam seus mistérios
tudo silêncio
tudo farra
tudo festa
ela tem no umbigo um formigueiro
leoa presa na jaula
seu tempo é todo de aulas
young, freud, deleuze
análise quântica dos nervos
semântica física dos ossos
sob o vestido brando de rendas
penso teus dedos nos seios
quando tens a carne exposta
e as frutas da santa ceia
coloco na mesa posta

arturgomes

Populações tradicionais se unem contra o trabalho escravo



escravidão
Povos se unem para acabar com o trabalho escravo no Brasil
Representantes de negros, quilombolas, indígenas, ciganos, entre outros grupos, defenderam nesta terça-feira, durante audiência pública na Câmara dos Deputados, a união das populações tradicionais brasileiras na luta contra o trabalho escravo no país.
O debate, promovido pela Comissão de Direitos Humanos, tem como tema central a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Trabalho Escravo (438/01), que pode ser votada ainda nesta terça-feira em sessão extraordinária no plenário. O texto prevê a expropriação de propriedades rurais ou urbanas onde seja constatado trabalho escravo. A ministra da Secretaria de Direito Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, também participou do debate.
Para o presidente da União dos Negros pela Igualdade (Unegro), Edson França, a tarefa do Congresso Nacional deve ser a de acabar com os resquícios da escravidão no Brasil. Ele avaliou que a aprovação da PEC é fundamental para que se alcance esse objetivo, mas que é preciso também o governo investir em ações específicas para resgatar as comunidades tradicionais.
- A lei é importante, é um instrumento necessário. Mas precisamos que políticas públicas sejam oferecidas também – disse. “Precisamos acabar com a pobreza. É uma luta que vai exigir bastante presença nossa na fiscalização e na punição”, completou.
A coordenadora do Movimento Negro Unificado, Jacira da Silva, concorda que é preciso unir forças contra a prática do trabalho escravo no país. Ela lembrou que apenas os negros representam mais de 50% da população brasileira, mas ressaltou que o movimento precisa se organizar para ser notado.
- Não queremos uma PEC que fique na nossa vaidade pessoal, mas o compromisso de que isso se estenda e mude de fato. A gente não quer reforma, a gente quer transformação – explicou.
A representante da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Evani Silva, lembrou que a discussão envolve milhares de famílias que vivem em condições desumanas no Brasil. Para ela, apenas por meio da união desses segmentos, será possível encontrar soluções para problemas como o trabalho escravo.
- Várias leis e normas foram criadas, mas elas precisam ser fortalecidas – disse. Segundo Evani, a aprovação da PEC vai permitir o fortalecimento dos alicerces das comunidades tradicionais brasileiras e o resgate das famílias que sobrevivem em meio ao trabalho escravo.
O representante indigenista Niwani Humi também destacou a existência de decretos e leis insuficientes para combater o trabalho escravo no país. “Isso é uma vergonha para o Brasil”, disse. “Nossos direitos estão sendo cruelmente desrespeitados. Todos os segmentos menos assistidos são maioria e formam o Brasil”, completou.
Para Mirian de Siqueira, presidenta da Fundação Santa Sara Kali (entidade de ciganos), a permanência de focos de trabalho escravo no país causam um profundo sentimento de vergonha e de tristeza. Ela acredita que o grupo precisa se unir aos negros, índios e quilombolas na busca por um objetivo comum: “Deixar de ser minoria para ter paridade aos majoritários”.
(Correio do Brasil)

Da esquerda à direita, Espanha cobra uma 'política europeia' de fato



A vitória de François Hollande na França, defensor de um crescimento integrado para o continente, pode concretizar um discurso que se mostra cada dia mais forte entre pensadores espanhóis de distintos matizes ideológicos: a moeda única precisa ser acompanhada de uma política europeia. "A Comissão Europeia foi posta de lado. Tanto que a posição oficial aguardada não é a do José Manuel Barroso (presidente da comissão), mas sim de Angela Merkel”, diz Antonio Baylos, professor de Direito do Trabalho.

Madri - Depois da exposição internacional das dificuldades financeiras da Grécia, em 2010, vários países europeus passaram a sofrer mais fortemente os efeitos da crise econômica. Os governos contiveram despesas, houve piora na qualidade de vida e aumento do desemprego.

A população reagiu nas urnas, elegendo governos com matizes ideológicas opostas àqueles que não souberam criar alternativas neste cenário adverso. Levantamento publicado pelo jornal El País na terça-feira mostra que, em apenas duas temporadas, a situação deixou o poder em 14 nações: Reino Unido, Hungria, Irlanda, Finlândia, Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Eslovênia, Romênia, Eslováquia, Dinamarca, Holanda e França.

Uma análise do mapa do poder no continente revela que, na maioria dos casos, ganharam as eleições partidos de direita, que logo adotaram o receituário de cortes nos gastos públicos. A crise, entretanto, continua. O remédio de gestores de coalizões conservadoras não deu resultado e, desde o final do ano passado, a esquerda está vencendo eleições, como a do socialista francês François Hollande no domingo.

Em meio a um clima de niilismo e falta de esperança, com a sucessão de números negativos na produção e na criação de empregos, direita e esquerda são pouco acreditadas como solução alternativa. A saída passa por uma política, de fato, europeia, como defendeu Hollande em seu discurso de posse, tese que começa a ganhar espaço na Espanha, à esquerda e à direita.

“Há uma crise do estado-nação no continente. A política ainda não é global, o capitalismo é. A cidadania europeia está só começando. Enquanto isso, há um assalto ao estado de bem-estar social para salvar os bancos”, aponta um dos pensadores da esquerda espanhola, o vice-presdiente da Fundación Alternativas, Nicolás Sartorius.

Para ele, há uma interferência na democracia e essa é uma das razões da crise de representatividade por que passa a Europa. “Quando o cidadão que paga impostos é o credor, o Estado é social. Mas agora depende do capital financeiro, que manda e quer o seu dinheiro de volta”, observa Sartorius.

“Voltamos ao Estado liberal. Os governos estão mais preocupados com o risco país do que com o desemprego. Essa política de cortes ameaça a União Europeia e põe o euro em risco. Para sair disso, precisamos que a UE seja, de fato, um espaço democrático, em que se faça política. A economia está mandando na política. É preciso ter um poder que possa se contrapor ao econômico, a esquerda deve trabalhar pela política, por governos democráticos que, junto com os cidadãos, definam as coordenadas”, sustenta.

O professor catedrático de Direito do Trabalho da Universidade Castilha La Mancha, Antonio Baylos, avalia que a crise de representação na Europa vem de mais tempo, mas que os problemas econômicos evidenciaram uma deslegitimação da política, muito grave.

“O espaço político não decide, mas quem está fora da constituição do poder público sim. Depois da crise grega de 2010, o problema aparece como um fato imodificável, inevitável, em que só cabe aos estados aceitar, aderir aos cortes. Qualquer tipo de participação cidadã é posta de lado, caso da Grécia, em que George Papandreou queria um referendo, mas não conseguiu”, lembra Baylos.

Para o acadêmico, a dimensão política que não fala só do capital, mas que trata também do social, sofreu um golpe. E a situação fica ainda mais difícil porque isso é intensificado na zona do euro, onde houve uma “nacionalização da política”.

“Prevalecem os interesses nacionais das maiores economias, quem determina os rumos são a Alemanha e a França. E há uma política monetária em que os estados menores são tratados com rigor, a eles são impostas medidas, inclusive destituindo governos e colocando em seu lugar tecnocratas. Só se fala no Banco Central Europeu. A Comissão Europeia foi posta de lado. Tanto que a posição oficial aguardada não é a do José Manuel Barroso (presidente da comissão), mas sim da chanceler alemã Angela Merkel”, observa Baylos.

Até mesmo vozes da direita espanhola cobram uma política europeia de fato. Em recente palestra na Real Academia de Ciências Morais e Políticas, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel García Margallo, sustentou que a internacionalização da economia exige também uma política global.

“A falta de um governo único, de uma política econômica integrada é o pecado original da União Europeia. A partir do euro, foi estabelecida uma moeda única para países com interesses diferentes e se dá prioridade aos interesses dos países centrais. Sem integração política, um problema em uma país como a Grécia, que representa menos de 2% do PIB da União Europeia, é capaz de abalar toda a zona do euro.”

Ou seja, até o integrante do governo conservador de Mariano Rajoy não vê saída longe da política e uma solução conjunta para o continente. Resta saber se este entendimento vai se sobrepor às diferenças ideológicas. 

metáfora 1



Isadora Predebon
suspenso no ar
as vezes penso
se devo pensar tanto
como uma poema de Mayakovisk
ela um dia virá ao meu encontro
e ressuscitará o poema que ontem não nasceu
a vida é só flores ela me disse
clarice em cada coisa
tem o instante em que ela é
as vezes também penso
ela não virá
aí vou para praça jogar milho aos pombos
ao jardim zoológico dar comida aos patos
os meus sapatos já conhecem os anos de espera
na última primavera os lírios não nasceram
e as rosas eram só espinhos
com minha língua na faca cortei a fala
ainda na garganta
e fui pra sala afiar o taco
ela não sabe que o vinho que guardei pra ela
é de uma safra especial de Bacco

arturgomes