segunda-feira, 31 de outubro de 2011

leveza


 o poema as vezes é sabre
lâmina fina como o vento
ou folhas suspensas
sobre um verde
quase água
quase pluma
levita sobrevoa se espraia
na voragem do dia
como os dedos da moça
ao atiçar o clic
no instante exato da fotografia

arturgomes

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Tereza Campello debate a erradicação da miséria

O surgimento de uma nova classe média e o perfil desse novo consumidor serão tratados em seminário promovido pelo Brasilianas.org

A erradicação da miséria, uma das prioridades do governo Dilma Roussef, será debatida por especialistas no próximo dia 1º de novembro, em São Paulo. O evento, que faz parte do calendário de seminários do Brasilianas.org, da Agência Dinheiro Vivo, terá a presença da ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Tereza Campello.

O seminário vai discutir a migração e o potencial de crescimento das classes socais, o perfil dos novos consumidores e as regiões de maior expansão, entre outros temas. Além da ministra, outros nomes participam dos debates, como o reitor da UFMG, Clélio Campolina; o economista da Unicamp, Eduardo Fagnani; o diretor do Data Popular, Renato Meirelles; e o consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Flávio Comim.

A inserção das classes C, D e E na economia nos últimos anos, um dos grandes feitos do governo Lula, criou uma nova classe média no país. Conforme dados do Centro de Políticas Sociais da FGV, entre 2001 e 2009, a renda per capita dos 10% mais ricos aumentou em 1,49% ao ano, enquanto a renda dos mais pobres cresceu a uma taxa de 6,79% por ano.

Somente entre 2008 e 2009, a taxa de pobreza caiu de 16,02% para 15,32%. Os números mostram também que, na época do auge crise financeira de 2009, a classe C cresceu mais em termos proporcionais do que as demais classes, chegando em 2009 a 94,9 milhões de brasileiros -- cerca de 50% da população. Diante desse cenário, a nova classe tornou-se alvo de empresas e de partidos políticos, que veem aí também o novo eleitor.

Com a emergência do novo consumidor, a questão agora é fazê-lo inserir-se na sociedade como cidadão e agente social. O Bolsa Família tem sido o principal fator desse processo, contribuindo na diminuição das desigualdades sociais, registrando queda da pobreza extrema de 12% em 2003 para 4,8% em 2008.
Programação completa do evento,clique aqui.

SERVIÇO

Data: 1º  de novembro  de 2011
Horário: a partir das 09h15
Local: Auditório Assis Chateaubriand
Rua Augusta, 1660 – Cerqueira César (Garagem)
Av. Paulista, 2200 – Cerqueira César
São Paulo

Informações e inscrições:             (11) 3667-2818       Ramal: 24
Email: eventos@advivo.com.br

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

hoje no sesc campos - ReVirando a Tropicália

foto: helo landin



Sesc Rio apresenta:
70 Anos que Não se Foram
Artur Gomes e Dizzy Ragga
participação especial do tecladista Júnior Brasil
ReVirando a Tropicália
Espaço Plural – 19:00h
Entrada Franca


me encanta mais teus olhos
que o plano piloto de brasília
o palácio do planalto o alvorada
me encanta mais as mãos da namorada
que a bandeira do brasil
o céu de anil a tropicalha

quero muito mais a carNAvalha
que a palavra açucarada
procuro  a palavra sal
do suor da carne bruta
a flor de lótus do cio da fruta
mesmo quando for somente espinhos
me encanta muito mais
os pés que a lata chuta
por entender que a vida é luta
e abrir novos caminhos

me encanta mais na lama o lírio
a flor do láscio
os olhos da minha filha
que o ouro dessas quadrilhas
que habitam esses palácios

arturgomes

terça-feira, 18 de outubro de 2011

visões periféricas



Sobre o Festival 2011

Visões Periféricas – todo mundo tem a sua

O Festival Visões Periféricas comemora cinco anos. Não se trata simplesmente de um evento dedicado a exibição de filmes. O Visões Periféricas nasceu sob o signo das muitas mudanças que o Brasil e o mundo viveram nos últimos 15 anos, transformações econômicas, sociais, estéticas...Está localizado em uma época, um tempo. O audiovisual que vem das periferias brasileiras surge à margem dos circuitos formais da economia, da arte, da comunicação; e cria suas próprias lógicas de circulação cultural.

Um dado Brasil que até então ouvia falar de si como uma abstração, um conceito - ora proclamado pelos intelectuais da academia, ora comunicado pela grande mídia - vai aprendendo a usar a tecnologia para falar de si e para quem quiser ouvir. É um audiovisual muito falado. Isso é perceptível nos filmes que chegam ao Visões Periféricas. E como poderia ser diferente? A tecnologia que permite a produção e difusão audiovisual a custos cada vez mais acessíveis encontra um Brasil que tem forte tradição oral. Esse Brasil está circulando a velocidade dos bytes pelas redes sociais da internet, imprimindo seu próprio jeito ou “jeitos” de comunicar. Falamos em “jeitos” porque não se pode colocar essa periferia dentro de um mesmo saco, sem reconhecer as diferenças entre as regiões, entre suas expressões culturais. Essa não é uma periferia que pode ser confortavelmente reduzida a conceitos econômicos ou sociais uniformizantes.

Ultimamente têm se falado muito da nova classe média brasileira, da ascensão econômica de milhões de brasileiros, do aumento do poder de consumo nas classes C e D, mas não se fala desses milhões de brasileiros enquanto portadores e criadores de estéticas próprias. Essa palavra do grego - aisthésis - entre outros significados possui o sentido de percepção, sensação...estética, como resultado de uma percepção singular do mundo, como um sentimento particular da vida.

Podemos dizer que essa compreensão da estética é que orienta a curadoria de filmes do Visões Periféricas. Hoje o festival possui exibição em sala de cinema e na internet. Não importa se o filme é feito com um celular ou uma câmera digital profissional de última geração. Se ele tem um trabalho de quadro mais contemplativo ou se é feito com uma profusão de depoimentos falados. Importa que nele se perceba uma potência de vida, de criação, e que ofereça uma visão que possa construir junto aos demais filmes da curadoria, novos conceitos sobre a periferia.

Aqui cabe ressaltar um outro aspecto do festival que faz dele um grande laboratório não só estético como social. Nesta edição recebemos cerca de 600 inscrições e pudemos constatar com satisfação que elas vêm de todos os Estados brasileiros e de realizadores com trajetórias de vida as mais diferentes possíveis, inclusive de quem não se encaixaria em uma noção tradicional de periferia, criada a partir de um espaço geográfico ou de uma classe econômica. Esses filmes e seus realizadores também têm presença garantida no festival. A ideia é que a partir do encontro entre todos eles com histórias e origens diferentes se forme uma rede de contatos que ajude a romper os preconceitos sobre a periferia e permita uma circulação permanente de sentido sobre ela. Dos 106 filmes exibidos, 70 são inéditos no Rio de Janeiro. Isso é motivo de orgulho e demonstra a importância que o festival assume no cenário audiovisual brasileiro e carioca.

Não estranhe se você for ao festival e acompanhar em uma mesma sessão o debate de realizadores vindos de uma comunidade indígena, da favela e de um bairro de classe média alta do Rio de Janeiro. É justamente esse estranhamento que buscamos ano após ano, o que nem sempre torna fácil a compreensão do que é o Festival Visões Periféricas. Mas acreditamos que esse é um estranhamento a que estamos cada vez mais sujeitos e, diríamos mais, um estranhamento necessário para que nos percebamos cada vez mais como sujeitos pertencentes a uma comunidade global, cidadãos do mundo.

O Festival Visões Periféricas 2011 (5ª edição) - Audiovisual, Educação e Tecnologias é organizado, desde 2008,  pela Associação Imaginário Digital (www.imaginariodigital.org.br) e irá acontecer de 19 a 26 de outubro no Oi Futuro em Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 54 - metrô Gal. Osório) e no Centro Cultural Justiça Federal (Av. Rio Branco 241 - metrô Cinelândia), na cidade do Rio de Janeiro (RJ). A entrada é franca.

Todos e todas estão convidados!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

jiddu saldanha - palavra entrelaçada


Estréia dias 20 e 21 de outubro, TEATRO MUNICIPAL DE CABO FRIO
às 20 horas R$ 10,00 (Meia entrada para idosos, crianças e quem levar um texto sobre Amizade).

Palavra Entrelaçada
(Histórias e relatos de amizade)

O Novo espetáculo de Jiddu Saldanha, “Palavra Entrelaçada”, é uma série de narrações onde a amizade entre pessoas e animais são exaltados com o objetivo construir, no coração do público adulto e infantil, a importância de se ter amigos, de se caminhar juntos e viver uma vida onde a palavra solidão é substituída por solicitude e a palavra isolamento é vencida pela força do amor incondicional e desprovido de “interesse”.

Para realizar este espetáculo, Jiddu conta com um repertório que vai desde seu trabalho autoral até pesquisas de lendas antigas de diversas culturas, trazidas para o universo atual e brasileiro.

Algumas histórias contadas neste espetáculo:
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Tipos de Amizade: “De amigos da Onça” a “Arquinimigos”, nesta fala inicial, impregnada de humor, Jiddu fala dos diversos tipos de amizade, citando inclusive “falsos amigos” até chegar aos amigos de verdade. Para aquecer o público e brincar no velho e gostoso estilo de humor brasileiro.
·                    
A Incrível História de amizade entre Gilgamesh e Enkidu – Umas das mais antigas narrativas escritas pelo homem, a história do Rei Gilgamesh foi escrita na antiga suméria e reza a lenda, que teria sido o primeiro texto poético escrito pelo homem desde quando a escrita foi inventada.
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A Lenda de Kintaro: Kintaro é uma antiga lenda japonesa que conta a história de um menino que tinha um curioso grupo de amigos formado apenas por animais. Nas horas vagas ele gostava de passear na floresta e brincar com seus amigos, até o dia em que um desafio maior coloca esta amizade à prova.
·                     
Os animais e os amigos – Esta história autoral, de Jiddu Saldanha, fala do cotidiano entre o próprio autor e experiência com os animais de estimação. Relatos recolhidos a partir de histórias ouvidas dos próprios amigos. Esses relatos foram amalgamados numa única história onde o valor da amizade de cães, gatos e outros bichos tornam-se uma forma de resolver questões entre humanos e oferecer conforto a corações solitários.
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O Amigo Desconhecido: Nesta história, Jiddu Relata atos de solidariedade que ajudaram a salvar pessoas em situação de guerra, pobreza, doença e fronteira entre a vida e a morte. Esta história é um resumo não só de experiências pessoais e familiares mas também fatos ocorridos em situação de guerra, onde a amizade fez a diferença.

Técnicas de narrar de Jiddu Saldanha.

Jiddu Saldanha utiliza como recurso técnico, sua experiência como mímico teatral e ator, mas vai além, sua fala busca uma interação espontânea com a platéia. Em cena, Jiddu narra com um pandeiro na mão e usa sua voz para cantos de sua própria autoria ou de domínio público e alguns compostos especialmente para a estrutura da história a ser narrada.

Recursos como a dança espontânea e o uso de contato interativo com a platéia também aparecem em cada momento, quando é necessário expandir a linguagem narrativa complementar.

O trabalho é todo fundamentado na oralidade mas se abre para cenas onde o silêncio é fluente e presente até a construção da magia no coração do expectador.


Ficha Técnica
PALAVRA ENTRELAÇADA

Direção Geral e Narrador – Jiddu Saldanha
Figurino – Jiddu Saldanha, Felipe Silveira, Chris Rothier e Nicolle Loop
Iluminação Criação: Bruno Peixoto – Execução: Ravi Arrabal
Apoio de produção - Fesq, Tribal
Fotografias – Lara Rothier e Flavio Pettinichi
Revisão Musical – Fernando Chagas
Revisão de Direção – Álvaro Assad
Preparação corporal em Mímica Possível – Bárbara Morais
Consultoria – Zé Bocca, Celso Sisto e Glauter Barros


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Conexões Urbanas em Ururaí


neste sábado 15/10 da 14 às 17:00 hs mais uma edição do projeto conexões urbanas no ciep João Borges Barreto, em Ururaí. O projeto Conexões Urbanas busca a expressão do perfil do jovem urbano atual, com oficinas acessíveis à população da periferia, com opções culturais que integram  os jovens à sociedade, tendo como ferramenta de difusão os elementos da cultura urbana: skate. street dance, street ball, grafitti, rap, cine vídeo, entre outras linguagens. O Conexões Urbanas é uma realização do Sesc Rio executado pelo Sesc Campos, com coordenação de Helô Landin e produção de Nelson  Martins.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

artur gomes - reVirando a Tropicália

Sesc Rio Apresenta:
Artur Gomes ReVirando a Tropicália
participação especial do Rapper Dizzy Ragga
Dias 26 e 27 outubro – 19:00h
Local: Espaço Plural – Sesc Campos

Cogito

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.

funk dance funk

a noite inteira invento joplin na fagulha
jorrando cocker na fornalha
funkrEreção fel fala
fábio parada de Lucas é logo ali
trilhando os trilhos centrais do braZil.
rajadas de sons cortando os ínfimos
poemas sonoros foram feitos para os íntimos
conkretude versus conkrEreção
relâmpagos no coice do coração.
quando ela canta eleonora de lennon
lilibay sequestra a banda no castelo de areia
quando ela toca o esqueleto de Lorca
salta do som em movimento enquanto houver
e federika ensaia o passo que aprendeu com mallarmé
punkrEreção pancada onde estão nossos negrumes?
nunkrEreção negróide nada.
descubro o irado Tião Nunes
para o banquete desta zorra
e vou buscar em Madureira
a Fina Flor do Pau Pereira.
antes que barro vire borra
antes que festa vire forra
antes que marte vire morra
antes que esperma vire porra,
ó baby a vida é gume
ó mather a vida é lume
ó lady a vida é life!