terça-feira, 9 de agosto de 2011

artur gomes poesia in concert


Artur Gomes Poesia In Concert
Dia 26 de agosto – 20:00h-  Palácio da Cultura
Campos dos Goytacazes - RJ

espetáculo poético multi-mídia , onde além da sua própria poesia Artur Gomes interpreta as viagens poéticas de Torquato Neto e Paulo Leminski, e bate um papo com a platéia sobre a sua produção poética teatral e video gráfica.

Produção & Direção
Dedé Muylaert

veja vídeos ao lado

lets play that´s

quando nasci um anjo torto
veio ler a minha mão
não era um anjo barroco
era um anjo louco torto
com asas de avião
e eis o que o anjo me disse
apertando a minha mão
com um sorriso entre os dentes
vá bicho desafinar o coro dos contentes

e desde que eu sai de casa
trouxe a viagem de volta
cravada na minha mão
enterrada no meu umbigo
dentro fora assim comigo
minha própria condução

todo dia é dia dela
pode ser pode não ser
abro a porta ou a janela
todo dia é dia D

há urubus nos telhados
a carne seca é servida
um escorpião encravado
na sua própria ferida
não escapa
só escapo pela porta de saída

todo dia mais um dia
de amar-te a morte morrer
todo dia menos dia
mais um dia
dia D

Cogito

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

 eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

 eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

 eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.

Literato cantabile

agora não se fala mais
toda palavra guarda uma cilada
e qualquer gesto é o fim
do seu início;

agora não se fala nada
e tudo é transparente em cada forma
qualquer palavra é um gesto
e em sua orla
os pássaros de sempre cantam
nos hospícios.

você não tem que me dizer
o número de mundo deste mundo
não tem que me mostrar
a outra face
face ao fim de tudo:

só tem que me dizer
o nome da república do fundo
o sim do fim do fim de tudo
e o tem do tempo vindo;

22)

o poeta nasce feito
assim como dois mais dois;
se por aqui me deleito
é por questão de depois

a glória canta na cama
faz poemas, enche a cara
mas é com quem mais se ama
que a gente mais se depara

ou seja:

quarenta e sete quilates
sessenta e nove tragadas
vinte e sete sonhos, noites
calmas, desperdiçadas.

saiba, ronaldo, acontece
uma vez em qualquer vida:
as teias que a gente tece
abrem sempre uma ferida

no canto esquerdo do riso?
no lado torto da gente?
talvez.
o que mais forte preciso
não sei sequer se é urgente.

nem sei se eu sou o caso
que mais mereço entender -
de qualquer forma, o A-caso
me deixa tonto. e querer

não é sentar, ter na mesa
uma questão de depois:
é, melhor, ver com certeza
quem imagina um mais dois.

Andar Andei

não é o meu país
é uma sombra que pende concreta
do meu nariz em linha reta
não é minha cidade
é um sistema que invento
me transformae que acrescento
à minha idade
nem é o nosso amor
é a memória que suja a história
que enferruja o que passou
não é você nem sou mais eu
adeus meu bem
(adeus adeus)
você mudou mudei também
adeus amor
adeus e vem

Torquato Neto

Jura secreta 13

o tecido do amor já esgarçamos
em quantos outubros nos gozamos
agora que palavro itaocaras
e persigo outras ilhas
na carne crua do teu corpo
amanheço alfabeto grafitemas
quantas marés endoidecemos
e aramaico permaneço doido e lírico
em tudo mais que me negasse
flor de lótus flor de cactos flor de lírios
ou mesmo sexo sendo flor ou faca fosse
hilda hilst quando então se me amasse
ardendo em nós salgado mar
e olga risse
olhando em nós
flechas de fogo se existisse
por onde quer que eu te cantasse
ou amavisse

arturgomes

injúria secreta


suassuna no teu corpo
couro de cor compadecida
ariano sábio e louco
inaugura em mim a vida

pedra de reino no riacho
gumes de atalhos na pedreira
menina dos brincos de pérola
palavra acesa na fogueira

pós os ismos tudo é pós
na pele ou nas aranhas
na carne ou nos lençóis
no palco ou no cinema
o que procuro nas palavras
é clara quando não é gema

até furar os meus olhos
com alguma cascata de luz
devassa em mim quando transcende
lamparina que acende
e transforma em mel o que antes era pus


arturgomes
http://juras-secretas.blogspot.com


SagaraNAgens Fulinaímicas

guima
meu mestre guima
em mil perdões
eu vos peço
por esta obra encarnada
nacarne cabra da peste
da hygia ferreira bem casta
aqui nas bandas do leste
a fome de carne é madrasta

ave palavra profana
cabala que vos fazia
veredas em mais sagaranas
a morte em vidas severinas
tal qual antropofagia
teu grande serTão vou cumer

nem joão cabral severino
nem virgulino de matraca
nem meu padrinho de pia
me ensinou usar faca
ou da palavra o fazer

a ferramenta que afino
roubei do meste drummundo
que o diabo giramundo
é o Narciso do meu Ser



artur gomes
http://goytacity.blogspot.com

no link um belo trabalho sobre a poesia de Torquato Neto Waly Salomão

fulinaíma produções
arturgomes
(22)9815-1266

Nenhum comentário:

Postar um comentário